segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O Berimbau, diversos toques.




Toques de Berimbau

Alguns toque se perderam na história e outros pouquíssimos mestres sabem executar como era realmente tocado, mas ainda existem grupos que tentam resgatar essa cultura rica, que esta sendo perdida por causa da rápida evolução dessa arte. Os vários toques de berimbau, escolhidos para o jogo da Capoeira, variam de acordo com a preferência do mestre. Valdeloir Rêgo, em pesquisa de 1968, depois de entrevistar mestres como Bimba e Pastinha, entre outros, conseguiu esta lista de toques: Angola – São Bento Grande – São Bento Pequeno – Cavalaria – Iúna – Amazonas – Santa Maria – Benguela – Angolinha – Ave Maria – Samongo – Angola em Gêge – São Bento Grande Gêge – Muzenza – Iejexá – Assalva – Estandarte – Gêge – Cinco Salomão – Angola-Pequena – Benguela Sustenida. Os diferentes ritmos utilizados na capoeira, como tocados no berimbau, são conhecidos como toques. Estes são alguns dos toques mais comumente utilizados: 

Angola

É o toque para um jogo de dentro lento rasteiro, praticado com a mão no chão, chamado jogo de angola, onde o capoeirista mostra força e equilíbrio; é jogo solto de mandingueiro. Essa é a origem da capoeira.

São Bento Grande de Bimba


Este toque foi criado por Mestre Bimba. É chamado também de São Bento Grande da Regional. Toca-se ele com um berimbau médio, dois pandeiros de cada lado fazem parte da formação da bateria (a essa formação instrumental dá-se o nome de “charanga”). É um toque que transmite muita energia e exige dos capoeiras muita técnica e atenção.

São Bento Grande de Angola


Esse toque é utilizado no jogo de Angola, é tocado com o berimbau viola e fazendo repiques. Mas também há grupos de capoeira que usam o toque São Bento Grande de Angola para jogar “regional” um jogo rapido e de floreios.
São Bento Grande de Angola seria o mesmo que a capoeiragem do tempo dos escravos, apenas assim denominada e talvez com algumas modificações. Angola, como também é conhecida, é um jogo onde predominam rasteiras e cabeçadas. É um jogo lento e cheio de armadilhas. Geralmente costuma ser um jogo baixo, com bastamte movimentos próximos ao chão.

São Bento Grande

O toque de São Bento Grande corresponde ao toque do terceiro ritmo. Quando o gunga o toca, o berimbau médio executa o São Bento Pequeno e a viola toca o São Bento Grande. Nesse momento a luta é enfatizada no jogo, exigindo velocidade de reflexos.

São Bento Pequeno


São Bento Pequeno é um toque de berimbau cadenciado e lento. Ele é executado com duas batidas apenas com o apoio do dobrão sobre o aço, seguida rapidamente de uma terceira batida marcada pelo dobrão, uma batida no aço solto e um balanço do caxixi.

Iúna


O toque de Iúna (assim como os outros toques) não possui um criador identificado, (assim como não existe ‘um criador’ da capoeira, a qual é resultado de inúmeras experiências dos afro-brasileiros no tempo da escravidão), no entanto, alguns capoeiristas atribuem sua criação ao Mestre Bimba, onde ele servia para os alunos formados demonstrarem toda a sua habilidade. Dentre estas habilidades, podemos citar: saltos, piruetas, firulas, paradas-de-mão, etc
Mestre Bimba costumava desenvolver neste ritmo a chamada “cintura-desprezada” ou “balões cinturados” que consistía em uma seqüência de balões (movimentos em que um jogador é lançado para o alto e precisa cair em pé), geralmente exigido ao aluno graduado.

Cavalaria

Em capoeira, cavalaria é o toque de alerta máximo ao capoeirista. É usado para avisar o perigo no jogo, a violência e a discórdia na roda. Na época da escravidão, era usada para avisar aos negros capoeiras da chegada do feitor. Na República, quando a capoeira foi proibida, os capoeiristas usavam a “cavalaria” para avisar da chegada da polícia montada, ou seja, da cavalaria.

Samango

Toque onde a acústica da barriga é enfatizada. Era utilizado para mostrar que existia a aproximação de pessoas no local onde estava sendo executado e acompanhava a velocidade das passadas, aumentando com a aproximação.
No Brasil, principalmente no nordeste, diz-se do soldado razo, sem qualquer patente e/ou iniciante na polícia.
Diz-se, ainda, daqueles que são abobalhados, sem malícia para brincadeiras pesadas e/ou maliciosas.

Santa Maria

Na capoeira, Santa Maria é o toque usado quando o jogador coloca a navalha no pé ou na mão. Um dos toques mais bonitos do berimbau, o tocador precisa desenvolver uma escala de notas e retornar ao começo da escala que da ao ritmo uma caracteristica muito diferente dos demais toques da capoeira, em especial da capoeira regional.

Banguela


Banguela é o mais lento toque de capoeira regional, usado para acalmar os ânimos dos jogadores quando o combate aperta. É um jogo cadenciado.

Amazonas


Amazonas é o toque festivo usado para saudar mestres visitantes de outros lugares e seus respectivos alunos. É usado em batizados e encontros.

Idalina


Toque para jogo de navalha.

Regional de Bimba


Regional de Bimba é um estilo da Capoeira voltada para o combate.
Criada pelo Mestre “Bimba”, dividiu a capoeira em dois estilos, sendo a outra a Capoeira de Angola, que até então era chamado de brincadeira dos angolas.
O que caracteriza a capoeira regional de Bimba, são as suas seqüências de ensino de ataque, defesa e contra-ataque, com movimentos mais objetivos e eficientes, sem muitos floreios rasteiros, consiste em saltos e golpes aéreos.
O praticante de capoeira regional de Bimba ganha força, velocidade, elasticidade, ferocidade, relfexo e controle mais amplo dos movimentos. 

Toque de Apanha Laranja Chão Tico-Tico 


O Toque de Apanha Laranja no chão tico-tico, nas festas de Santa Bárbara, era usado para o "torneio" que consistia no seguinte: dois capoeiristas exibiam-se tentando apanhar com a boca um lenço branco que era jogado no meio da roda, consagrando-se vencedor, aquele que o apanhava O referido toque é acompanhado da melodia do mesmo nome, que originou-se deu uma brincadeira de roda, muito conhecida em rodas que tem a presença de mestres antigos que botam uma cédula no meio da roda e começam a jogar em busca dela. 

Samba de Roda 


O samba de roda é usado para a execução do samba de roda e do samba duro. No samba de roda, enquanto os instrumentos tocam, o povo dança, à maneira dos africanos , aos pares ou em grupo. No samba duro, que só é permitido para homens, enquanto sambam aplicam rasteiras entre si.


Atualmente com diversos grupos de capoeira e cada um mantendo sua tradição, história e fontes de conhecimentos listam esses outros toques de berimbau.

TOQUES DE ANGOLA:
- Angola
- São Bento Pequeno
- São Bento Grande
- Angolinha (ou Angola corrida)

TOQUES DE REGIONAL:
- São Bento de Bimba (ou Regional)
- Iúna
- Amazonas
- Santa Maria
- Benguela
- Cavalaria
- Idalina

TOQUES CRIADOS POR MESTRE CANJIQUIHA:
- Samango
- Muzenza
OUTROS TOQUES:
- Tico Tico (ou Santa Maria ou Lamento)
- Idalina
- Samba de Angola
- Santa Maria do Traíra
- Angola Dobrada
- Cavalaria Antiga
- Angola em Gêgy
- Barravento
- Cavalaria Variação
- A morte do Capoeira
- Assalva sinhô do Bonfim
- Ave Maria
- Aviso
- Gêgy
- São Bento grande em Gêgy
- São Bento Grande Estilizado
- Angola em Jeje
- Angola em Samba de Jexá
- Upa Neguinho
- Jogo de Dentro
- Santa Maria Dobrada
- Jexá
- Benguela Sustenida
- Estandarte
- Conco Salomão
- Gêge - Ketu
- Jogo de Fora
- Chamada
- Miudinho
- Tríplique
- Adeus Bahia (ou Iúna Verdadeira)
- Guarani
- Angola do Traíra
- Dandara
- Dos Velhos
- Zumberimbau
- JeanoMagia
- Magia



Fontes:
  • Federação de capoeira: http://www.federacaocapoeira.com/sites/federacaocapoeira.com/userfiles/Ficheiros_Servidor/LIVROS/O_berimbau_de_barriga_e_seus_toques_Kay_Shaffer.pdf
  • Artigos: http://360graus.terra.com.br/geral/default.asp?did=2059&action=geral
                      http://www.revistacapoeira.com.br/historia/a-historia-do-berimbau/
  • Mestre Kim: http://www.kimcapoeira.com/capoeira/toques-de-berimbau/ 

  • Mestre Bimba: http://www.youtube.com/watch?v=vDI_kH0Q0QA
                                 http://www.youtube.com/watch?v=qCXYZidAANc
                                 http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/mestre-bimba
  • Mestre Pastinha: http://www.enciclopedianordeste.com.br/nova436.php





quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Roda de Capoeira

Neste sábado (7) a Escola de Capoeira Atleta do Bem estará na cidade de Santa Fé do Sul - SP com o professor Bunitim. O Mestrando Mario Marcio em reunião com os capoeiristas de Três Lagoas - MS sugeriu que fossemos à  cidade do estado de São Paulo para uma integração do novo membro.

O professor Bunitim ficará responsável pela Escola de Capoeira Atleta do Bem em sua cidade, juntamente com seus alunos."Este é o momento, se prepara Santa fé do Sul para receber uma nova proposta de trabalho emprol da arte da capoeira,conto com o apoio dos pais e familiares em especial das secretarias de Educação e Esporte para receber a Escola de Capoeira Atleta do Bem." - palavras de Bunitim através de seu facebook.


Mestrando Mario Marcio diz estar muito feliz com os novos integrantes do grupo e que esta a disposição para atende-los no  que for necessário, e que seja bem vindo todos.

Até este seguinte momento a programação acontecerá no período da manhã na cidade de Santa Fé.

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

5º aniversário do Atleta do Bem


Neste sábado passado (30) foi realizada a comemoração do 5º aniversário da Escola de Capoeira Atleta do Bem. Com muita festa começamos o dia com um aulão para nossas criança na praça central de Três Lagoas, em seguida passamos no Expo Mulher 2013 para uma apresentação, no final da tarde na quadra coberta da lagoa maior alguns integrantes receberam sua nova graduação e logo noite foi feita a festa de confraternização 5º aniversário do Atleta do Bem na casa do Mestrando Mario Marcio com muita música e bate papo com os familiares do integrantes do grupo.


Aulão

As 9 horas da manha começou a mobilização na praça central para o aulão, com alguns alunos dos polos educacionais o Mestrando Mario Marcio se dispôs a ministrar uma aula para os estudantes do Atleta do Bem.







Expo Mulher 2013

No período da tarde o Atleta do Bem fez uma apresentação no Expo Mulher 2013. Segue o vídeo no Link: Apresentação Expo Mulher 2013



























Congresso e troca de graduação

Após a apresentação a reunião foi na quadra coberta da lagoa maior, onde o Mestrando Mario Marcio passou um curso sobre capoeira e discutiu algumas metas para serem atingidas ainda este ano. Em seguida alguns integrantes receberam sua graduação na roda de comemoração no aniversário do grupo.

Festa do aniversário

A noite o Mestrando Mario Marcio recebeu os integrantes para confraternizar juntos o aniversário do grupo. A festa foi realizada no decorrer da noite com muita alegria, cantoria e camaradagem.

sábado, 23 de novembro de 2013

Aniversário da Escola de Capoeira Atleta do Bem.

"Com muita humildade conseguimos vencer todas as dificuldades do caminho, nesse tempo erramos muito e aprendemos com cada erro, mas também acertamos muito, crescemos criamos novos amigos e mantemos os antigos. Muitos levantarão junto essa causa que não é só minha e sim de todos que gostam da capoeira, do esporte e da educação. Quero agradecer todas da família e  os que já passaram pelo grupo, são todos importantes para o nosso crescimento: nossos graduados, monitores, formados e estagiários. Obrigado para aqueles que nos representam em outros estados e países, estamos sempre juntos em pensamento, e até para aqueles que tentaram nos atrapalhar vocês só fizeram com que nos fortalecêssemos ainda mais, obrigado e muito obrigado !!!" - palavras do Mestrando Mario Marcio.



Dia da Consciência Negra - Escola Estadual Padre João Tomes.



Nesta sexta-feira (22), na Escola Estadual Padre João Tomes, ocorreram diversas exposições de figuras, mascara e jarros africanos, e apresentações de dança, leitura de poesia e capoeira, e a Escola de Capoeira Atleta do Bem não poderia estar de fora desta festa. O professor de ed. física Rodrigo e o professor de matemática Celson André em conjunto fizeram uma roda de capoeira com os alunos da referida Escola Padre João Tomes.
A roda de capoeira apresentada pelo formada pelo Formado Marimbondo (Celson André) e professor ed. física Rodrigo foi realizada juntamente com os jovens estudantes presentes para que pudessem sentir a energia que a capoeira proporciona e conhecer um pouco da história  que nasceu no Brasil após a vinda dos africanos escravizados. Todos os estudantes  participaram da roda com palmas, jogo ou gritos de motivação para os "mandingueiros" que estavam jogando.
"A Escola de Capoeira Atleta do Bem possui essa função social de levar essa cultura brasileira e o conhecimento que a capoeira proporciona para esse jovens." - diz Formado Marimbondo.


domingo, 17 de novembro de 2013

Trânsito, assim não dá!

Dia 30 de novembro de 2013, na cidade de Três Lagoas - MS, a Escola de Capoeira Atleta do Bem estará realizando uma mobilização nas ruas da cidade para a conscientização de trânsito. Pois vemos  a cada dia que passa um aumento  significativo das estatísticas relacionadas ao número de acidentes ocorridos por mês. "É nosso dever como cidadão dessa cidade fazer algo, não só deixar para professores de escola, policiais, agentes de trânsito e outros funcionário que fazem esse papel de conscientização." diz Mestrando Mario Marcio.
Mestrando Mario Marcio juntamente com os membros do grupo sairão nas ruas para fazer mais uma ação social, "Cada um ajuda com o que tem, nós temos a capoeira como diferencial e modo de chamar realmente a atenção para essa frase ' Trânsito, assim não dá! ' " diz formado Cavalo.

Outros anos.

Está ideia não começou esse ano, já ocorreram outras edições realizadas pelo Mestrando Mario Marcio juntamente com sua equipe com a finalidade de conscientizar a população três-lagoense. Sempre com a participação e apoio da Policia Militar - PM e com o carisma e atenção da nossa população.
"Agradecemos deste já e atenção da população três-lagoense, e queremos apenas oferecer nosso melhor." - diz Mestrando Mario Marcio.

campanha de 2012

 campanha de 2012

campanha de 2012

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Evento: Grupo Oficina

No final de semana passado dias 9 e 10, Mestrando Mario Marcio marcou presença no estado de São Paulo no evento do Grupo Oficina. Na presença do Mestre Ray e outros maravilhosos capoeiristas do grupo Oficina, entre eles Gavial. Escola Atleta do Bem marcando presença, encontrando amigos queridos e fazendo novas amizades neste maravilhoso evento. Agradecemos deste já a oportunidade.

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Origem da Capoeira

Origem

No século XVII, era costume dos povos pastores do sul da atual Angola, na África, comemorar a iniciação das jovens à vida adulta com uma cerimônia chamada n'golo (que significa "zebra" nalíngua quimbunda). Dentro da cerimônia, os homens disputavam uma competição de luta animada pelo toque de atabaques em que ganhava quem conseguisse encostar o pé na cabeça do adversário. O vencedor tinha o direito de escolher, sem ter de pagar o dote, uma noiva entre as jovens que estavam sendo iniciadas à vida adulta. Com a chegada dos invasores portugueses e a escravização dos povos africanos, esta modalidade de luta foi trazida, através do porto deBenguela, para a América, especialmente para o Brasil, onde se fixou a maior parte dos escravos africanos trazidos à América2 .
No Brasil, assim como no restante da América, os escravos africanos eram submetidos a um regime de trabalho forçado. Eram também forçados à adoção da língua portuguesa e da religião católica. Como expressão da revolta contra o tratamento violento a que eram submetidos, os escravos passaram a praticar a luta tradicional do sul de Angola nos terrenos de mata mais rala conhecidos como "capoeiras" (termo que vem do tupi kapu'era, que significa "mata que foi", se referindo aos trechos de mata que eram queimados ou cortados para abrir terreno para as plantações dos índios)3 .
A partir do século XVI, Portugal começou a enviar escravos para as suas colônias, provenientes primariamente da África Ocidental. O Brasil, com seu vasto território, foi o maior receptor da migração de escravos, com quase quarenta por cento de todos os escravos enviados através do Oceano Atlântico. Os povos mais frequentemente vendidos no Brasil faziam parte dos grupos sudanês (composto principalmente pelos povos Iorubá e Daomé), guineo-sudanês, dos povosMalesi e Hausa e do grupo banto (incluindo os kongos, os Kimbundos e os Kasanjes), provenientes dos territórios localizados atualmente em AngolaCongo e Moçambique.[carece de fontes]
A capoeira ainda é motivo de controvérsia entre os estudiosos de sua história, sobretudo no que se refere ao período compreendido entre o seu surgimento e o início do século XIX, quando aparecem os primeiros registros confiáveis com descrições sobre sua prática. 4
Jogar Capoeira ou Danse de la Guerre, de Johann Moritz Rugendas, de 1835
No século XVI, Portugal tinha um dos maiores impérios coloniais da Europa, mas carecia de mão de obra para efetivamente colonizá-lo. Para suprir este déficit, os colonos portugueses, no Brasil, tentaram, no início, capturar e escravizar os povos indígenas, algo que logo se demonstrou impraticável. A solução foi o tráfico de escravos africanos.5
A principal atividade econômica colonial do período era o cultivo da cana-de-açúcar. Os colonos portugueses estabeleciam grandes fazendas, cuja mão de obra era primariamente escrava. O escravo, vivendo em condições humilhantes e desumanas, era forçado a trabalhar à exaustão, frequentemente sofrendo castigos e punições físicas.5 Mesmo sendo em maior número, a falta de armas, a lei vigente, a discordância entre escravos de etnias rivais e o completo desconhecimento da terra em que se encontravam desencorajavam os escravos a rebelar-se.
Neste meio, começou a nascer a capoeira. Mais do que uma técnica de combate, surgiu como uma esperança de liberdade e de sobrevivência, uma ferramenta para que o negro foragido, totalmente desequipado, pudesse sobreviver ao ambiente hostil e enfrentar a caça dos capitães-do-mato, sempre armados e montados a cavalo.

Nos Quilombos

Tela de Antônio Parreiras retratandoZumbi dos Palmares um quilombola
Não tardou para que grupos de escravos fugitivos começassem a estabelecer assentamentos em áreas remotas da colônia, conhecidos como quilombos. Inicialmente assentamentos simples, alguns quilombos evoluíam atraindo mais escravos fugitivos, indígenas ou até mesmo europeus que fugiam da lei ou da repressão religiosa católica, até tornarem-se verdadeiros estados multiétnicos independentes.6
A vida nos quilombos oferecia liberdade e a oportunidade do resgate das culturas perdidas à causa da opressão colonial.6 Neste tipo de comunidade formada por diversas etnias, constantemente ameaçada pelas invasões portuguesas, a capoeira passou de uma ferramenta para a sobrevivência individual a uma arte marcial com escopo militar.
O maior dos quilombos, o Quilombo dos Palmares, resistiu por mais de cem anos aos ataques das tropas coloniais.7 Mesmo possuindo material bélico muito aquém dos utilizados pelas tropas coloniais e geralmente combatendo em menor número, resistiram a, pelo menos, 24 ataques de grupos com até 3 000 integrantes comandados por capitães do mato. Foram necessários dezoito grandes ataques de tropas militares do governo colonial para derrotar os quilombolas. Soldados portugueses relataram ser necessário mais de um dragão (militar) para capturar um quilombola, porque se defendiam com estranha técnica de ginga e luta. O governador-geral da Capitania de Pernambuco declarou ser mais difícil derrotar os quilombolas do que os invasores holandeses.6

A Urbanização

Com a transferência do então príncipe-regente dom João VI e de toda a corte portuguesa para o Brasil em 1808, devido à invasão de Portugal por tropas napoleônicas, a colônia deixou de ser uma mera fonte de produtos primários e começou finalmente a se desenvolver como nação.4 Com a subsequente abertura dos portos a todas as nações amigas,8 o monopólio português do comércio colonial efetivamente terminou. As cidades cresceram em importância e os brasileiros finalmente receberam permissões para fabricar no Brasil produtos antes importados, como o vidro.4
Já existiam registros da prática da capoeira nas cidades de SalvadorRio de Janeiro e Recifedesde o século XVIII, mas o grande aumento do número de escravos urbanos e da própria vida social nas cidades brasileiras deu à capoeira maior facilidade de difusão e maior notoriedade. NoRio de Janeiro, as aventuras dos capoeiristas eram de tal jeito 9 que o governo, através da portarias como a de 31 de outubro de 1821, estabeleceu castigos corporais severos e outras medidas de repressão à prática de capoeira.4

Libertação dos Escravos e Proibição

Original da Lei Áurea
No fim do século XIX, a escravidão no Brasil era basicamente impraticável por diversos motivos, entre eles o sempre crescente número das fugas dos escravos e os incessantes ataques das milícias quilombolas às propriedades escravocratas. O império Brasileiro tentou amenizar os diversos problemas com medidas como a lei dos Sexagenários e a lei do Ventre Livre, mas o Brasil invevitavelmente reconheceria o fim da escravidão em 13 de maio de 1888 com a lei Áurea, sancionada pelo parlamento e assinada pela princesa Isabel.
Livres, os negros viram-se abandonados à própria sorte. Em sua grande maioria, não tinham onde viver, onde trabalhar e eram desprezados pela sociedade, que os via como vagabundos. 10 11 O aumento da oferta de mão de obra europeia e asiática do período diminuía ainda mais as oportunidades12 e logo grande parte dos negros foi marginalizada e, naturalmente, com eles a capoeira.11 13
Foi inevitável que diversos capoeiristas começassem a utilizar suas habilidades de formas pouco convencionais. Muitos começaram a utilizar a capoeira como guardas de corpo, mercenários, assassinos de aluguel, capangas. Grupos de capoeiristas conhecidos como maltas aterrorizavam o Rio de Janeiro. Em pouco tempo, mais especificamente em 1890, a República Brasileiradecretou a proibição da capoeira em todo o território nacional,14 vista a situação caótica da capital brasileira e a notável vantagem que um capoeirista levava no confronto corporal contra um policial.13
Devido à proibição, qualquer cidadão pego praticando capoeira era preso, torturado e muitas vezes mutilado pela polícia. A capoeira, após um breve período de liberdade, via-se mais uma vez malvista e perseguida. Expressões culturais como a roda de capoeira eram praticadas em locais afastados ou escondidos e, geralmente, os capoeiristas deixavam alguém de sentinela para avisar de uma eventual chegada da polícia.

A Luta Regional Baiana

Em 1932, um período em que a perseguição à capoeira já não era tão acentuada, mestre Bimba, exímio lutador no ringue e em lutas de rua ilegais, fundou em Salvador a primeira academia de capoeira da história. Bimba, ao analisar o modo como diversos capoeiristas utilizavam suas habilidades para impressionar turistas, acreditava que a capoeira estaria perdendo sua eficiência como arte marcial. Dessa forma, Bimba, com auxílio de seu aluno José Cisnando Lima, enxugou a capoeira, tornando-a mais eficiente para o combate e inseriu alguns movimentos de outras artes marciais, como o batuque. Mestre Bimba também desenvolveu um dos primeiros métodos de treinamento sistemático para a capoeira. Como a palavra capoeira ainda era proibida pelo código Penal, Bimba chamou seu novo estilo de Luta Regional Baiana.15
Em 1937, Bimba fundou o centro de Cultura Física e Luta Regional, com alvará da secretaria da Educação, Saúde e Assistência de Salvador. Seu trabalho obteve aceitação social, passando a ensinar para as elites econômicas, políticas, militares e universitárias.15 Finalmente, em 1940, a capoeira saiu do código Penal brasileiro e deixou definitivamente a ilegalidade. Começou, então, um longo processo de desmarginalização da capoeira.
Em pouco tempo a notoriedade da capoeira de Bimba demonstrou ser um incômodo aos capoeiristas tradicionais, que perdiam espaço e continuavam a ser malvistos. Esta situação desigual começou a mudar com a inauguração do Centro Esportivo de Capoeira Angola, em 1941, por mestre Pastinha. Localizado no Pelourinho, em Salvador, o centro atraía diversos capoeiristas que preferiam manter a capoeira em sua forma mais original possível. Em breve, a notoriedade do centro cunhou em definitivo o termo "capoeira angola" como nome do estilo tradicional de capoeira. O termo não era novo, sendo, já na época do império, a prática da capoeira apelidada, em alguns locais, de "brincar de angola" e diversos outros mestres que não seguiam a linha de Pastinha acabaram adotando-o.16

Fonte: Wiikipédia, Dicionário Histórico, Livros de História on-line.